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Ecoturismo no Brasil
No Brasil, no âmbito governamental, o ecoturismo é discutido desde 1985, quando a Embratur iniciou o projeto "Turismo Ecológico". A primeira iniciativa de ordenar a atividade ocorreu em 1987 com a criação da Comissão Técnica Nacional, constituÃda por técnicos do Ibama e da Embratur, para monitorar o Projeto de Turismo Ecológico, em resposta à s práticas existentes à época - pouco organizadas e nada sustentáveis.
Entretanto, nem os esforços governamentais, nem os privados foram suficientes para ultrapassar as barreiras, algumas até hoje existentes, entre a teoria - principalmente em relação aos modelos nacionais - e a prática do ecoturismo.
Incluem-se entre essas barreiras a ausência de consenso sobre a conceituação do segmento - inclusive, como ocorre internacionalmente, a falta de critérios, regulamentações e incentivos que orientem empresários, investidores e o próprio governo, no estÃmulo e no uso do potencial dos patrimônios naturais e culturais, ao mesmo tempo em que promova a sua conservação.
Em conseqüência, o ecoturismo praticado no Brasil é uma atividade ainda confusa, desordenada, impulsionada, quase que exclusivamente, pela oportunidade mercadológica, deixando, a rigor, de gerar os benefÃcios sócio-econômicos e ambientais esperados e comprometendo, não raro, o conceito e a imagem do produto ecoturÃstico brasileiro nos mercados interno e externo.
Deve-se destacar que o que se entende ou se define como "ecoturismo" ou "turismo ecológico", na realidade uma coletânea de princÃpios, é utilizado de forma generalizada e "comercial" como forma de promover viagens, transformando-o em segmento turÃstico, assim como o turismo rural, esportivo, etc. Esse é um ponto de vista destorcido, que quando utilizado sem respeitar os critérios sustentáveis, com visão comercial e "ecoportunista" deve ser evitado e combatido.
Ecoturismo deve:
- utilizar de forma sustentável o patrimônio natural - utilizar de forma sustentável o patrimônio cultural - incentivar a conservação do patrimônio natural - incentivar a conservação do patrimônio cultural - buscar a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do (meio) ambiente - promover o bem-estar das populações envolvidas (visitantes e visitados)
Diretrizes para a PolÃtica Nacional de Ecoturismo (agosto 1994)
Grupo de Trabalho Coordenadores: Denise Hamú de La Penha e Silvio Magalhães Barros. Equipe governamental: Clélia Lucy Ferreira, Márcio Montenegro, Marcos Jorge de Araújo, Maria Luiza Paes, Sérgio Tadeu Medina, SÃlbene de Almeida e Sonia Wiedmann. Colaboradores: Fábio de Jesus, Hélio Bulhões, Ismael Nobre, João Alievi, Maria Ester M. B. Carmino, Néli Gonçalves de Melo, Oliver Hillel, Pedro Camilo Melo, Reinaldo F. Lourival, Roberto M. F. Mourão e Roberto Rezende (moderador).
Em agosto de 1994, um grupo de trabalho interministerial do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, por meio da Embratur, reuniu-se em Goiás Velho, Estado de Goiás, para elaborar as "Diretrizes para uma PolÃtica Nacional de Ecoturismo".
No evento, estabeleceu-se o Marco Legal do Ecoturismo no Brasil, definindo:
|      | "Ecoturismo é um segmento da atividade turÃstica que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas."  | |  | Nota: este conceito foi atualizado em 2000, durante a reunião que definiu o Acordo de Mohonk. |
O governo brasileiro, sabendo que para que o ecoturismo pudesse efetivamente constituir uma estrutura sólida, acessÃvel e permanente, determinou que era preciso que se estivesse alicerçado em diretrizes coerentes com o mercado, tecnologicamente ajustadas e democraticamente discutidas, de forma a acomodar adequadamente as peculiaridades ambientais e culturais brasileiras.
Com as diretrizes pretendeu-se nortear o desenvolvimento do ecoturismo e servir como base para a implantação de uma PolÃtica Nacional de Ecoturismo buscando assegurar:
- à comunidade: melhores condições de vida e reais benefÃcios, - ao meio ambiente: uma ferramenta que valorize os recursos naturais, - à nação: uma fonte de riqueza, divisas e geração de empregos, - ao mundo: a oportunidade de conhecer e utilizar os patrimônios cultural e natural dos ecossistemas onde convergem a economia e a ecologia, para o conhecimento e uso das gerações futuras.
A articulação governamental com organizações não-governamentais e com a iniciativa privada, visando, a médio e longo prazos, a formação de recursos humanos especializados e implementação de infra-estrutura adequada, são considerados fatores determinantes para o desenvolvimento ordenado do ecoturismo no paÃs.
Com base no cenário identificado durante a realização da oficina de planejamento da diretrizes, os esforços a serem empreendidos na implementação de uma polÃtica para o desenvolvimento do ecoturismo no Brasil foram direcionados ao atendimento dos seguintes objetivos básicos:
- fortalecer a cooperação inter-institucional, - compatibilizar a atividade com a conservação de áreas naturais, - possibilitar a participação efetiva de todos os grupos de interesse do setor, - promover e estimular a capacitação de recursos humanos para o ecoturismo, - promover o aproveitamento da atividade como veÃculo de educação ambiental, - promover, incentivar e estimular a criação e melhoria da infra-estrutura para a atividade de ecoturismo.
Faça o download do documento: Diretrizes para uma Politica Nacional de Ecoturismo 1994  (6,8 MB).
Fonte: Manual MPE Funbio-EcoBrasil, Roberto M.F. Mourão, 2001.
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